Sete Psicopatas e um Shih Tzu
Violência, humor...ação!
“Hollywood...” é o
que se lê no famoso letreiro que fica no que representa o Parque Griffith, em
Los Angeles, logo na primeira cena em Sete
Psicopatas e um Shih Tzu. Na sequência, um debate sobre violência, entre
dois assassinos da máfia italiana, - com pitadas de características do clássico
O Poderoso Chefão – envolvente, daqueles que tomam cenas em filmes de Quentin
Tarantino, tiram a atenção do espectador para a introdução da peça chave em um
emaranhado de conflitos que envolvem alcoolismo, um roteiro de cinema, ladrões
de cachorros e claro, psicopatas: o assassino em série Valete de Ouros.
Usar um personagem alcoólatra para designar sua atividade
como roteirista em um momento de escassez criativa é um dos tons que levam o
longa a ser considerado – em parte – do gênero comédia. Há também a situação
que, por si só, é cômica o bastante para que, aqui no Brasil, levasse a distribuidora
traduzir o título Seven Psychopath
com o complemento “...e um Shuh Tzu”: a corrida desesperada de um mafioso, o
sociopata Charles Costello, e sua gangue, que vai atrás de seu querido cãozinho
de origem chinesa sequestrado.
Entre fatos e versões, o roteirista Marty (Colin Farrell) procura
analisar e apresentar um enredo onde sete psicopatas compõem uma história original,
digna de quebrar os clichês pragmáticos de tantas outras histórias apresentadas
no cinema americano, onde, armas, tiros, sangue, explosões e decapitações são
os maiores atrativos para uma boa bilheteria semanal. Fictícios e,
posteriormente, reais, personagens e situações vão tomando forma e, quase que
intencionalmente, o tão sonhado roteiro vai se escrevendo diante dos olhos do
escritor bêbado.
A produção procura apresentar exatamente a ideia que se passa
na cabeça de Marty: o outro lado de um psicopata. O lado humano? Talvez. É difícil
considerá-los extraterrestres, já que partilham conosco o mesmo habitat. O
diálogo, neste caso, torna-se um grande divã entre os desejos pessoais de cada
um dos envolvidos. O sequestro do cachorro é o estopim para que o espetáculo
seja montado e segredos comecem a ser revelados na trama junto aos conflitos
emocionais existentes em cada um dos personagens.
O time de atores escalados para dar vida ao filme não fica
nada para trás. Claro, cada um com seus altos e baixos, mas nada que interfira
negativamente na carreira profissional. Um deles, Sam Rockwell – quem não se
lembra dele em A Espera de um Milagre?
– ator perfeito para interpretar um psicopata ao lado de outro excelente ator,
Woody Harrelson, que já provou um pouco de tudo, até caçador de zumbis em Zumbilândia. Um pouco mais cotado para
produções, o ator Colin Farrell aparece muito mais carismático e com êxito do
que no recente reboot O Vingador do Futuro. Uma pena foi ver
a atriz Gabourey Sidibe praticamente encarnando novamente a personagem
Preciosa, com suas falas embaladas em choros e sentimento penoso. O engraçado,
é que o nome – Charice - da personagem neste filme apresenta o mesmo tom fônico
do nome Clarice (Precious Jones) de Preciosa. Por último, e não por uma ordem
de preferência ou importância, ele, o lendário Christopher Walken, com seu
jeito sereno e enigmático interpreta um importante personagem no filme.
Fazendo uma mistura de suspense, drama e comédia, o filme,
mesmo perdendo um pouco do seu fôlego lá para o terceiro ato, mantém uma linha
interessante sobre o desfecho do conflito, instigando o espectador a ficar até
o último instante ligado na trama.
Fazendo menção ao tema “serial
killer”e “psicopatas”, acredito que os seguintes filmes (de diferentes
gêneros) possam complementar o acervo fílmico do leitor. São eles:
- Zodíaco
- Seven: os sete crimes capitais
-Onde os fracos não tem vez
Ficha técnica
Sete Psicopatas e um Shih Tzu
(Seven Psychopaths, 2012)
Direção: Martin McDonagh
Roteiro: Martin McDonagh
Elenco: Colin Farrell, Sam Rockwell,
Christopher Walken, Woody Harrelson, Abboe Cornish, Olga Kurylenko, Brendan
Sexton III, Gabourey Sidibe, Helena Mattsson, Jamie Noel, Joseph Lyle Taylor.
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