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domingo, 10 de fevereiro de 2013

Pipocafé #5

O Lado Bom da Vida


Os filmes classificados indiretamente como “comédia-romântica” feitos nos últimos anos, têm apresentado ao público fórmulas genéricas e cheias de clichês, em alguns casos, é claro, não deixando de ser engraçado. Mas, estava faltando algo de novo, algo que superasse as expectativas do público e resultasse em um enredo fora dos padrões do gênero, mas que permitisse o espectador sentir que se trataria de um filme onde o amor juntaria duas pessoas e mudaria suas vidas. E foi através da direção do cineasta David O. Russell que “O Lado Bom da Vida” atendeu a esse déficit de criatividade, sendo indicado a oito categorias na cerimônia do Oscar 2013, que acontecerá no próximo dia 24/02.

Muitos já devem ter lido alguma matéria sobre o filme e, por algum acaso, ficou sabendo que Russell fez o filme com total dedicação ao filho, que sofre de algum problema mental – se for o mesmo problema do personagem principal do filme, ele apresenta algum tipo de distúrbio bipolar crônico – e queria mostrar-lhe que a vida pode ser muito boa, mesmo com os problemas particulares de cada um.  Neste caso, a inspiração e o talento do cineasta me fizeram mergulhar de cabeça e de ter a sensação de acompanhar de perto o cotidiano dos dois personagens principais, seus problemas pessoais e a penosa esperança de quem acompanha algum sinal de progresso.

Dizem que tudo na vida existem dois lados. E, no filme, é engraçado observar que, não só o problema de saúde é encarado como algo fora do comum, mas também os vícios pessoais que cada pessoa pode cultivar durante o seu ciclo terrestre. Exemplo disto é a superstição doentia do pai perante os jogos de futebol e suas arriscadas apostas – isto fica claro em uma das cenas, onde a câmera se move lentamente e destaca os objetos espalhados pela sala - e o amigo que promove uma falsa propaganda de casamento feliz diante da sociedade. Isto nos mostra que: todos nós somos passíveis de apresentar nossos momentos de bipolaridade. Seja na companhia de alguém ou sozinho. A diferença sempre se encontra no grau que isso apresentará nas suas ações.

A ideia de juntar um cara que, a qualquer momento, desconexo com a realidade, pode formular alguma intriga dentro de sua cabeça e se encontrar engolido por um turbilhão de pensamentos que geram certo tipo de agressividade com uma garota que, recentemente perdeu o marido e que apresenta sinais perceptíveis de depressão, é a mesma coisa de estar preparando um coquetel molotov. Ou melhor, uma bomba sem relógio, pronta para explodir a qualquer momento. Talvez, esta seja a parte mais legal da história, observar onde vai dar o nascimento de um novo relacionamento, uma amizade, entre tantos outros problemas sentimentais, é algo gostoso de ver no filme. Escapamos de cenas previsíveis e de todo um romantismo desnecessário durante os primeiros atos – não existe se quer um beijo até o clímax do filme. O que vemos é um cortejo que flui humanamente, mas que antes de tudo preserva a amizade e a consideração de apoio entre os dois. 

As atuações são ótimas. Destaque, antes de tudo, para Robert De Niro, que fazia tempo não representava tão bem nas telonas. Um ator classe A que abandona suas caras e bocas e vive um pai nervoso, que aposta em jogos de futebol. Fiquei muito feliz em vê-lo trabalhando desta forma. O segundo lugar vai para Bradley Cooper, que de forma surpreende mostrou sua competência para atuar no papel principal. Eu nunca ia imaginar que aquele beberrão de “Se beber, não case” ia se sair tão bem. Cheguei à conclusão de que certos papeis pode funcionar como uma sombra prejudicial ao trabalho de atores. A escolha de papeis é de extrema importância na carreira de qualquer profissional deste ramo – Daniel Day-Lewis que o diga. Jennifer Lawrence definitivamente mostra que tem talento para o ofício e abre uma porta promissora para a sua carreira profissional – a cena da pequena lanchonete é de arrepiar. Chris Tucker aparece novamente como o engraçadinho da turma. Não que precisaríamos dele para rir com o filme, que é repleto de cenas hilárias e dramáticas, mas, como ele não aparece com tanta frequência, fica aceitável vê-lo uma vez ou outra, se forçar muito.

A vida talvez tenha muito mais para oferecer do que nós podemos imaginar. Ainda há tanto mistério e coisas que não conseguimos explicar diante das questões impostas durante nossa passagem pelo mundo que, às vezes, ficamos perdidos. Para todo caso, acredito que o amor seja a resposta para muitas dúvidas. E quando digo amor, entenda que é geral. Amor pela família, amigos e pelo próximo.  Cientificamente o amor não cura doenças, mas as torna suportáveis. Por isso, encontre e desenvolva o seu lado bom da vida.

Ficha Técnica

Título: O Lado Bom da Vida
(Silver Linings Playbook, 2012)
Diretor: David O. Russell
Roteiro: David O. Russell
Elenco:Bradley Cooper; Jennifer Lawrence; Robert De Niro;
Jacki Weaver; Chris Tucker; Julia Stiles;
Adaptação do livro do autor Matthew Quick.

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